O dia 26 de março é a data escolhida para a conscientização internacional a respeito da epilepsia, sendo chamada de purple day. Esse dia foi criado em 2008 por uma criança canadense, portadora do distúrbio, que escolheu a cor roxa em homenagem a planta lavanda, como demonstração de que nenhum paciente portador de epilepsia devia se sentir sozinho. Mas você sabe o que é epilepsia?
A epilepsia é um distúrbio cerebral gerador de crises epilépticas, caracterizadas pela atividade anormal excessiva dos neurônios cerebrais ou de um grupamento dos neurônios. Este distúrbio é também comum a diversas doenças.
O distúrbio é conhecido na medicina desde a época de Hipócrates e Galeno, sendo considerado naquele período apenas como sintoma. No séculos XIX e XX, diversos autores consideravam a epilepsia uma doença, mas só na década de 80 que o conceito de síndrome (conjunto de sinais e sintomas) epiléptica foi introduzido no meio médico.
O diagnóstico é feito a partir de mais de uma crise epiléptica com intervalo de no mínimo 24 horas. Ou seja, um episódio único não é indicativo de epilepsia. Para o médico que atende o doente, é importante saber como foram as crises, se existe algum fator que tenha desencadeado a crise, como agentes tóxicos, álcool ou alguma doença prévia.
Após ser feito o diagnóstico, o tratamento medicamentoso (geralmente um comprimido por dia) tem como interesse apenas a tentativa de evitar as crises, eliminando a atividade anormal do cérebro, e assim, favorecendo uma boa qualidade de vida ao indivíduo.
Estima-se que cerca de 2% da população mundial seja portadora de epilepsia, podendo ser maior em países em desenvolvimento como o Brasil, e cerca de 70 % dos portadores apresentam formas benignas do distúrbio, sendo o tratamento muito semelhante ao de um paciente hipertenso ou diabético.
A epilepsia não é contagiosa, portanto não se preocupe. Também não devemos pensar que a pessoa com epilepsia seja um portador de doença mental ou loucura, por isso não tenha medo nem preconceitos. Além disso, o fato de um dos pais ser portador de epilepsia não aumenta a chance da criança nascer com o distúrbio, permanecendo a probabilidade igual ao de um casal que não possua epilepsia.
O que fazer ao me deparar com alguém em crise epiléptica?
- Não se desespere e tente manter a calma;
- Geralmente as crises do tipo convulsivas duram apenas poucos segundos ou minutos;
- A crise passa sozinha;
- Durante a crise, mantenha a cabeça do indivíduo apoiada para que evitemos qualquer tipo de trauma;
- Tente colocar o indivíduo de lado, impedindo que ele se asfixie com a saliva ou com o vômito;
- Ele jamais conseguirá engolir a língua, um músculo que se contrai igualmente aos demais, portanto não se preocupe;
- Não coloque nenhum objeto dentro da boca do indivíduo, isso poderá machucá-lo;
- A saliva, se respingar em sua pele, não causará nenhum dano a sua saúde. Lembre-se, epilepsia não é contagiosa.
Se algum parente, colega de trabalho ou amigo apresentar uma crise epiléptica, encaminhe a um médico e lembre-se, não tenha preconceitos contra o distúrbio.
Fontes:
1-http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492006000500011
2-http://www.abneuro.org.br/clippings/detalhes/253/the-purple-day-Academia Brasileira de Neurologia
3- ILAE 20054-http://www.epilepsiabrasil.org.br/mensagem-da-presidencia- Associação Brasileira de Epilepsia